sexta-feira, 25 de maio de 2012

Magia do Caos



Ultimamente fala-se muito sobre a Magia do Caos, mas o que vemos na internet (fonte de informação não muito confiável) é o relato de brasileiros que parecem estar brincando de magistas. A Magia do Caos que vem sendo divulgada por algumas pessoas é uma piada, e uma piada muito perigosa, por que por de trás destas invocações a John Lennon e rituais a alguns fraters que não convém citar, há um embasamento na modelagem da energia e força de vontade, uma das formas de por a magia para funcionar, e com isto lemos tópicos de magistas do caos falando sobre como prejudicaram pessoas de forma irreversível. Outros dizendo que a Magia do Caos é fácil de se praticar, basta criar um ritual qualquer que você acredite que funcione e pronto!!! Fora a total falta de respeito com suas divindades...
Mas esta postagem não visa difamar tais magistas, e sim mostrar um lado sério que vem sendo negligenciada desta modalidade de magia.


Magia do Caos ou Caoismo (dentre tantos outros nomes adotados pelos praticantes) é uma forma de ritual e magia relativamente nova, utilizando-se de quebras de paradigmas e alterações do estado de consciência (hora de formas excitativas, hora de formas inibitórias), como técnicas gnósticas, meditativas, sufis, orgásticas, ou com uso de substâncias psicoativas. Os praticantes afirmam que podem modificar a realidade através desta forma de magia.
Quem esta lendo deve estar se perguntando: mas o que Magia do Caos tem a ver com Bruxaria Tradicional e feitiçaria, que é a temática do blog?


A resposta é simples!!! A principal influência da Magia do Caos foi Austin Osman Spare. Diferente do que andam afirmando por aí, Spare não estava inicialmente envolvido com a Golden Dawn e Astrvm Argentvm, muito menos com a O.T.O.
A Golden Dawn foi dissolvida no ano de 1900, e Austin Osman Spare nasceu em 1886, ou seja, tinha apenas 14 anos.
Sim ele foi iniciado no mundo do ocultismo muito cedo, na realidade, na sua infância, mas foi por uma mulher a quem se referia como "Sra. Paterson", sua babá, que clamava ser descendente direta de uma linhagem das famosas bruxas e feiticeiras de Salem. Esta mulher assumiu uma grande posição na vida de Spare, que se referia a ela como "Witch Mother" (Mãe Bruxa).
A Senhora Paterson era considerada pela sociedade Vitoriana como sendo uma bruxa, e essa senhora não apenas ensinou Spare a visualizar e evocar espíritos e elementais, como também o iniciou na Via Sabática, no qual durante um encontro, recebeu seu nome mágico "Zos". Se analisarmos a obra de Spare, reconheceremos nìtidamente a influência direta de uma corrente mágica vital que, certamente, só é transmitida por via oral e que indiscutivelmente só poderia ter sido ensinada por um iniciado de alguma antiga tradição oculta.
Spare criou uma técnica de sigilação (assunto para outra postagem), que até hoje é uma das mais usadas, se não for a mais usada no mundo por Bruxos e magos!
Tão grande quanto seu talento na Arte dos Sábios, era seu talento na pintura. Spare foi artista oficial do exército, ilustrou edições da revista Equinox de Aliester Crowley, entre outras proezas. Enquanto artista do exército sofreu um acidente, que paralisou todo seu lado direito do corpo. Muitos sequer acreditavam que ele voltasse a desenhar ou pintar novamente, mas seis meses após isso, estava novamente desenhando e pintando habilmente.
Fato esse que por muitos era atribuído a Spare e seu contato com elementais e espíritos.
O foco do trabalho de Spare sempre foi a Bruxaria, ele nutria um desprezo por magos cerimoniais (algo muito comum para alguns membros da Arte dos Sábios), como Matters e Crwoley, o último ele ao menos considerava engraçado. Como todo bom bruxo ele possuía uma mente indomável, Isto explica porque Spare ficou tão pouco tempo na 'Fraternidade da Estrela de Prata' (Brotherhood of the Silver Star, ou Astrvm Argentvm, fundada por Aleister Crowley a partir dos ensinamentos da Golden Dawn, Aurora Dourada, e para a qual Spare entrou em 10 de julho de 1910 com o motto de Yihoveaum, que significa "Eu Sou AUM", 'eu sou a eternidade'): a disciplina que era exigida por Crowley para os membros de sua fraternidade não combinava com a concepção de liberdade de Spare, que consistia na expressão artística irrestrita do "sonho inerente" que é, de certa forma, idêntico à Verdadeira Vontade (Thelema) formulada por Crowley. Para Spare, entretanto, a transformação deste "sonho inerente" em algo real exigia um tipo de liberdade diferente daquela idealizada por Crowley. Então aproveitou o que havia de útil na A.A, e descartou o restante fechando-se no seu próprio sistema mágico que ele chamou de Zos Kia Cultus, que já é considerado como Magia do Caos por muitos ocultistas.
Em 1948 encontra-se com Kenneth Grant (fundador da O.T.O Tiphoniana), inicia então seu grimoire definitivo conhecido como "Zos Kia Cultus", não finalizando por sua morte em 1956.

Outra expressão muito interessante da Magia do Caos é o da Irmandade do Cultus Sabbati de Andrew Chumbley. Seu trabalho e baseado na Arte Sem Nome, mas vai além da Bruxaria Tradicional, é algo um tanto difícil de descrever. Nota-se fortes influências do Tantra (principalmente em suas ilustrações), Chöd, Sufísmo, cristianismo, Magia Hermética, Egípcia e Enochiana, filosofia e mística de Austin Osman Spare, ritualística de Gareth Knight, e o requinte do cerimonial thelêmico da O.T.O Tiphoniana, além da experiência adquirida em diversos concílios da Arte, focados na Quintessência mágica moldada sobre a Arte Feiticeira. Isto ainda não é o suficiente para descrever o trabalho deste gênio da Arte, que em minha opinião é insuperável.

Divindades Caóticas
Não há como falar de Magia do Caos sem citar os Veneráveis antigos, assunto tão polêmico entre os bruxos e magos modernos. Alguns tentam ignorar, outros dizem que não passa de ficção, mas quem envolvido no mundo do ocultismo moderno pode dizer nunca pensou em fazer uso dos poderes dos mais famosos Deuses do Caos!?!
Pelo que se sabe a primeira referência a tais Divindades surgiu nos contos de Howard  Phillips Lovecraft. O próprio Lovecraft dizia que tais Deuses não passavam de ficção, pois eram frutos de seus pesadelos, que ele tinha todas as noites? Isto em si já é um tanto estranho.
H.P Lovecraft se dizia cético em relação em fenômenos ocultos, mas será que era mesmo? Varias são as suposições, ou seria melhor dizer, especulações, a respeito da veracidade de tais Divindades, e deste tal ceticismo. Muito se comentou que Lovecraft era filho de um maçom responsável por uma das lojas maçônicas da Nova Inglaterra, onde Lovecraft cresceu, e que após a morte de seu pai, ficou com todos os documentos de tal loja, onde encontrou o grimoire mais famoso de seus contos, o Necronomicon, escrito pelo poeta árabe Abdul Alhazred, após um longo período de peregrinação por partes desoladas do Oriente Médio, onde perdeu a sanidade após o viver na terra dos monstros. O livro continha informações sobre os Deuses que usou para escrever seus contos. Também se especula que Lovecraft tenha criado o Necronomicon a partir de tratados de magia que ficaram em sua posse após a morte de seu pai. São teorias plausíveis. Se realmente seu pai era maçom, com certeza deve ter iniciado Lovecraft em sua Loja, e quem melhor para descrever rituais e Deidades, do que um praticante.
Outra teoria, inclusive a de que sou adepto, é que Lovecraft não tinha pesadelos, o que Lovecraft tinha em todas as noites de sua vida eram insights. As Forças do Caos estavam tentando lhe transmitir seus Mistérios, e para infelicidade de tais Divindades, Lovecraft era cético, mas para sua sorte ele era um exímio escritor e tinha uma memória excelente.
Hoje há uma vasta gama de instituições esotéricas estudando os segredos ocultos em seus contos popularmente conhecidos como “Os Mitos de Cthulhu”. Destas a mais famosa é a Ordem Esotérica de Dagon, uma sociedade mística formada por magistas, escritores e artistas. A Ordem Esotérica de Dagon contou e conta com nomes influentes do ocultismo como Kenneth Grant, fundador da O.T.O Tiphoniana e Nikolai Frisvold, magister do Lilium Umbrae, Clã de Tubalcain no Brasil.

São considerados como reais apenas as Divindades descritas por Lovecraft. As divindades  criadas pelo “círculo Lovecraft” (grupo de escritores que eram fãs do trabalho de Lovecraft, e que passaram a escrever estórias baseadas em sem trabalho, e até e conjunto com o mesmo) geralmente não são levadas em consideração. E porque digo reais? Por que estas forças realmente existem! Da mesma forma que existem Deuses da ordem, existem Deuses do Caos.
Tudo tem sua origem no Caos. Se seus nomes são Cthulhu, Yog sothoth, não importa, esta é apenas a mascara que tais Divindades, ou Forças se preferirem, se apresentaram para Lovecraft, ou que são usadas para acessar tais poderes pelos magos do Caos.

A baixo segue uma breve descrição dos seis Deuses do Caos:


Cthulhu: Origem do nome: Deterioração pelos gregos da palavra árabe Khadhulu, que significa “aquele que abandona”. No Alcorão existe a seguinte passagem: 25:29 - “Para a Humanidade Satan é Khadulu”. O mais conhecido dos great old ones e das criações de Lovecraft, Cthulhu é um ser gigantesco e vagamente humanóide, com asas e tentáculos de polvo na boca. Chegou à terra milhões de anos antes do aparecimento do homem e povoou-a com a sua raça de deep ones, seres humanóides anfíbios. Construiu a gigantesca cidade de R’lyeh onde é hoje o oceano pacífico. Daí comandou o seu império, até ao dia em que as estrelas atingiram um alinhamento que o obrigou a entrar em letargia. Cthulhu dorme na sua cidade entretanto submersa por água, aguardando o dia em que a posição das estrelas lhe permita voltar à vida e de novo reinar sobre a Terra. Cthulhu é capaz de comunicar por sonhos enquanto dorme, influenciando alguns seres humanos mais sensíveis durante o sono. Diversos cultos tentam apressar o seu regresso, mas ele próprio não parece ter muita pressa. Especula-se que esta longa hibernação seja uma característica normal do seu estranho ciclo biológico.



Nyarlathotep: Origem do nome: do egípcio Ny Har Rut Hotep, que significa “não existe paz na passagem”. Nyarlathothep é a alma e o mensageiro dos deuses exteriores. É o único deles que tem vindo a travar contatos com a humanidade, mas os seus objetivos são imperscrutáveis. Possui um inteligência inimaginável e um sentido de humor mórbido. Consegue adotar centenas de formas físicas distintas, podendo parecer um homem vulgar ou uma monstruosidade gigantesca. Especula-se que um faraó obscuro da IV Dinastia do Egito dinástico fosse Nyarlathotep “em pessoa”. A própria esfinge seria uma representação em tamanho natural de uma outra forma de Nyarlathotep. Foi o único que, com suas astúcia, escapou do castigo general, e conspira para o retorno dos seus companheiros.


Azathoth: Origem do nome:do árabe Izzu Tahuti, que significa “poder de Tahuti”, provavelmente uma alusão à divindade egípcia Thoth. Azathoth é o “Sultão Demoníaco”, o mais importante dos deuses exteriores. Fisicamente é uma massa gigantesca e amorfa de caos nuclear, sendo incrivelmente poderoso mas completamente desprovido de inteligência. A sua “alma” é Nyarlathotep, o mensageiro dos deuses. Azathoth passa a maior parte do tempo no centro do universo, dançando ao som de deuses menores flautistas. A maior parte das suas aparições em locais diferentes deste estão relacionadas com catástrofes gigantescas, como é o caso da destruição do quinto planeta do sistema solar, que é hoje o cinturão de asteróides.                                                                                                                                                            

Shub-niggurath: a grande cabra das florestas com seus mil filhos, é o único com representação definida e humanamente acessível, é o poder dos "Grandes Antigos" manifestado na esfera terrestre, vulgarmente o Deus das feiticeiras nos sabás.







Yog-sothot: é o veículo do caos, a manifestação exterior do caos primitivo, é um Deus exterior, é  coincidente  com o tempo e o espaço ainda que supostamente bloqueado fora do universo em que vivemos. Yog-Sothoth conhece o portal. Yog-Sothoth é o portal. Yog-Sothoth é a chave e guardião do portal. Passado, presente e futuro, todos são um em Yog-Sothoth...

Dagon: é um Deus peixe com aparência semelhante ao Leviatan hebreu. Habita um abismo no chão do oceano, era adorado pelos amoritascomo um deus da fertilidade.













Janus Arthan
Samhain 2012 E.C

Um comentário:

  1. Meu caro amigo é possivel encontrar no Brasil uma organização da irmandade Cultus Sabbati?

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